
“Eu te odeio”.
“Eu também, seu pedaço de merda.”
O fato de esse ser um diálogo entre pai e filha adolescente e a segunda frase ter saído da parte paternal da conversa, faz com que Californication seja a coisa mais legal, suja e pervertida de se ver na TV ultimamente.
A terceira temporada já teve seus quatro primeiros episódios lançados, portanto, inevitavelmente vou falar coisas que já aconteceram, então como diria o presidente aqui do blog: você foi avisado.
Uma primeira olhada poderia deixar os fãs temerosos. Hank Moody (Duchovny cada vez mais perfeito nesse papel, chega a assustar) está longe de Karen e a Mia foi fazer a turnê de promoção do seu livro roubado (na verdade ela foi mesmo beijar lésbicas mutantes em Heroes). Isso poderia causar sérios danos à narrativa sexualmente tensa da série, que dependia muito dessas duas personagens.
A solução brilhante? Hank Moody agora é professor, e como não podia deixar de ser, tenta comer sem dó todas as suas alunas. Pertinente, real e perfeito.
Por sinal, é nesse arco da história que rolam uma das cenas mais engraçadas desse reinicio de série. Um personagem tirado diretamente da atual insuportável onda de vampiros emos iniciada por Crepúsculo: o aluno viciado em contos das criaturas da noite que tenta cometer suicídio após Moody, gentilmente, avaliar seus contos. “O mundo não precisa de merdas como Crepúsculo”. Eu juro que abraçaria o roteirista que colocou essa frase na boca de Moody. Simplesmente sensacional.
Igualmente hilária continua a saga de Charlie Runkle, uma espécie de versão drogada de George Costanza. O poço dele parece não ter fim depois de tentar namorar uma atriz pornô, perder a mulher no processo e ainda perder o emprego e virar chacota por se masturbar diariamente no trabalho. Bem, só parece. O cara agora trabalha por comissão e tem uma chefe tarada na casa dos 60 anos que o assedia diariamente. É mole?
Aliás, falando em idosas na TV, lembra do comercial da Havaianas que foi tirado do ar porque uma velhinha fala “sexo”? Bem, fico pensando o que a conservadora TV brasileira acharia quando a chefe de Runkle, no alto de seus 60 anos, diz que sua posição sexual favorita é 69 de pé.
Por essas e outras, reafirmo: Californication é a série mais engraçada da atualidade e para mim, David Duchovny não é sinônimo de Fox Mulder há muito tempo.