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A proposta – uma análise cinematográfica

por Tiago Volpato

a-propostaComeço este relato com um manifesto. Não uma revolta contra o cinema comercial, que usurpa as idéias e as transforma em produtos de massa, bombardeando nossa mente com pensamentos estúpidos, retrógrados e que em nada nos faz questionar o status quo, assim enfraquecendo nosso espírito. Não. Faço do objeto de minhas revoltas, este conglomerado chamado Moviecom, cujo monopólio nesta cidade estúpida em que vivo (que não citarei aqui) me fez odiar o cinema.

Apesar de fugir um pouco da proposta de falar sobre o filme, essa introdução é necessária para que vocês entendam minha situação:

Domingo a noite, momento de descontrair com minha garota. “Vamos ao cinema”, ela me disse cobrando um programa diferente do tradicional ‘ficar em casa jogando’. Uma rápida busca pelo site do referido projetor cinematográfico e abraço meu dilema: Só tem porcaria passando.

As opções eram das mais variadas: Transformers 2, a Era do Gelo 3 (dublado) e A proposta. Sim, meu amigo, as instalações do cinema que possuem cinco salas de projeção só possuem três filmes em cartaz. Um belo desperdício de espaço, não? Provavelmente tal estupidez deriva desse fim de mundo em que vivo, onde ninguém quer ir ao cinema ver um filme decente. Claro que não. Cinema é entretenimento. Cinema tem que fazer dinheiro. Cinema abriga pessoas estúpidas que ignoram possuir um cérebro.

Tudo bem, algumas cidades decentes possuem filmes mais variados, mas esse é um fenômeno que não ocorre apenas aqui. Filmes estúpidos e sem cérebro são cada vez mais produzidos por Hollywood que sempre deseja mais dinheiro, fazendo assim sempre mais do mesmo. São filmes se não idênticos muito parecidos, perpetuando fórmulas que são garantia de renda. Contratam dois atores de apelo popular e, voilà, esta pronta uma obra prima. É triste, mas chegará o dia em que o cinema viverá exclusivamente de filmes mainstream, é o programa de imbecilização humana.

Passei quatro parágrafos chorando o cinema e fugi completamente da minha proposta inicial, que era comentar o filme A proposta, uma comédia romântica com Sandra Bullock e Ryan Reynolds (O cara que é casado com Scarlett Johansson pra desgosto do Gabriel Caldas).

Ao contrário do que poderia parecer no início desse texto, o filme não é ruim (o que torna a introdução de quatro parágrafos completamente desnecessária). É claro que temos a mesma história de sempre (aqui a chefa escrotona, pra não ser deportada com o visto vencido, decide se casar com seu secretário). Os dois então embarcam em uma jornada de conhecimento mútuo, redenção, piadinhas e claro, o verdadeiro amor. Se originalidade aqui não é o forte, pelo menos eles fazem de uma forma bem feita e com bons atores.

A proposta é aquele tipo de filme que todo mundo já conhece e não tem a pretensão de fazer grandes reflexões sobre a vida, mas sim entreter um público alvo específico, que deve ser o público feminino e seus namorados. Uma simples olhada no cinema e isso é visível. Casais e grupos de mulheres (com seu amigo gay favorito) lotam a instalação do cinema, dando dinheiro para um conglomerado que cada vez mais gosta de sacanear comigo (o meu ódio contra o Moviecom já começa a encher o saco).

Mas não me leve a mal, não estou aqui dizendo que o filme é ruim. Ele pode não ser a maior obra prima da sétima arte, mas não fiquei entediado no cinema. E isso é o mais importante para mim na hora de gostar ou não de um filme. Além disso, por mais que me doa admitir, dei algumas risadas. É claro que dentre as opções disponíveis (Era do gelo 3 dublado e Transformers 2) esse filme acaba se tornando a melhor pedida.

Completando o elenco temos os conhecidos: Craig T. Nelson, Mary Steenburgen e Betty White.

Para terminar essa “análise” cinematográfica, vale ressaltar a melhor cena do filme onde Sandra Bullok aparece semi-nua. Em resumo, se tiver que levar a namorada ao cinema, fique tranqüilo, dá pra sair de lá sem desejar o suicídio. Agora se você não tem namorada, provavelmente o filme não é pra você. A não ser que você seja como o casal gay que estava na minha frente, um com camisa azul de liquidificador e tênis laranja. Não que eu seja preconceituoso/machista e odeie os homossexuais. O que eu odeio é um cidadão usar uma camisa azul de liquidificador, tênis laranja e ter um penteado estupidamente emo. Gay ou não, não preciso ver isso!

Destaques da noite:

Uma gorda que provavelmente nunca teve um namorado e por isso precisa transferir seus impulsos pra comida gordurosa, conversando com o esquilo da Era do Gelo 3. Aquele brindezinho de uma rede de fast-food americana. Ela fazia comentários sobre o filme e tentava fazer piadinhas para o esquilo, que claro, não ria.

Em dado momento, alguém arrotou que com a acústica maravilhosa do cinema ecoou para todos os lados. Todo mundo riu e eu, que estou acostumado a comédias mais refinadas como Seinfeld e The Office, não achei a menor graça. Na verdade eu nem percebi que era arroto e achei que o individuo estava chorando com a revelação mais que dramática da Sandra Bullok em uma das cenas.

A Sandra Bullok nua.

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Categorias:cinema
  1. 15/07/2009 às 16:50

    Eu não perco a oportunindade já que fui citado no texto, HOLLY FUCK!! POR QUE??? POR QUE ELA foi casar com esse cara? Uma mulher dessas precisa ser uma musa intocável! E não ter um palhaço metido a comediante/dramático (foda é admitir que eu até acho ele bom ator e engraçado). Isso é simplesmente errado.

  2. Bruno Rafael Silva
    15/07/2009 às 17:06

    Podias ter ido ver A Era do Gelo 3. Tua namorada ia achar bonitinho e não ias te aborrecer tanto. Eu acho a melhor animação não Pixar que tem no mercado atualmente.

    • 15/07/2009 às 17:14

      É que tava esgotado e era dublado ;P Apesar de ter três salas pro mesmo filme, parece até irreal ver a entrada esgotadada…

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