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Resenha: Gojira (1954)

O ano de 1945 foi um marco na história da humanidade. Final da segunda-guerra mundial, quando os EUA, querendo demonstrar sua superioridade armamentista, soltou duas bombas nucleares nas cidades de Hiroshima e Nagasaki – Japão. Muito se discute se estas bombas nucleares foram as verdadeiras responsáveis pela rendição do Japão na segunda guerra. Historiadores afirmam que não, mas é inegável que o bombardeio gerou muito mais efeitos do que simplesmente uma vitória norte americana. Até hoje, esses foram os únicos casos de utilização de bombas nucleares em um ataque de destruição em massa. Estima-se que os danos causados pela exposição à radiação sejam maiores do que o número de mortos durante os ataques.

Os ataques nucleares ao Japão ficaram marcados na memória de todo o mundo, principalmente do povo Japonês. Então não é de se estranhar que nove anos depois dos ataques, um filme que a primeira vista pode parecer apenas uma ficção cientifica trash qualquer, faça claras referências ao uso da bomba atômica.

O filme conta a história de Godzilla (Gojira no Japão), um monstro do período cretácio que possui cerca de cinqüenta metros de altura. Recentes testes com bombas nucleares acordaram Godzilla, que enfurecido sai pelo Japão destruindo cidades e causando a morte de vários civis. Para piorar, o monstro absorveu uma grande quantidade de radiação nuclear e se tornou praticamente invencível, tornando infrutífera todas as tentativas do exército japonês de dar um fim em sua existência. Criado por Tomoyuki Tanaka, Ishiro Honda, Eiji Tsuburaya (que mais tarde viria a ser o pai da família Ultra), e de Akira Ifukube, Godzilla foi feito para ser a personificação do medo da bomba atômica. Prova disso é quando no final do filme um cientista profetiza: caso não sejam suspensos os testes com armas nucleares, outros Godzillas poderão aparecer em outras partes do mundo. Cenas que mostram cidades destruídas, evacuação de distritos, crianças chorando e hospitais cheios de feridos, resgatam lembranças de uma guerra que tinha acabado há muito pouco tempo atrás, lembrando à população dos horrores daquele período negro.

O filme utilizou efeitos especiais muito simples: um ator fantasiado foi filmado destruindo maquetes, a técnica chamada de suitmation, tornou-se cult instantaneamente e virou marca registrada de diversos filmes japoneses. Na época de seu lançamento, Godzilla fez um enorme sucesso de bilheteria, não só pelas lembranças recentes da guerra, mas por ser um filme muito bem produzido, com a utilização de maquetes muito bem construídas, uma trilha sonora empolgante e uma ótima direção de Inoshiro Honda. Com o sucesso, nasceu um novo estilo que nas décadas seguintes seria um dos mais tradicionais do cinema japonês: o gênero kaiju eiga, mais conhecido como cinema de monstros.

Cinquenta e cinco anos depois, o filme não deixa a desejar para nenhum filme atual, todos os elementos de uma superprodução moderna podem ser encontrados lá: uma grande ameaça que se projeta sobre a humanidade, o cientista que quer estudar essa ameaça, romance (mesmo que de uma forma muito discreta, fruto de uma sociedade que na época tinha outros valores), o dilema da utilização de uma arma poderosa que poderia acabar com toda a raça humana. Cenas dignas de um filme Hollywoodiano.

Falando em Hollywood, o filme chegou dois anos depois nos cinemas dos Estados Unidos, com o título de Godzilla – King of Monsters. O filme foi ligeiramente modificado, para conter cenas inéditas com o ator americano Raymond Burr (famoso pelo seriado Perry Mason), que curiosamente não contracenava com nenhum dos atores do filme original. O filme também foi um sucesso nos Estados Unidos, e assim, Godzilla estava coroado como ícone da cultura pop mundial e batizado como o rei dos monstros. O sucesso foi tanto que em 1978 o monstro ganhou uma série de desenho animado criado pela Hanna-Barbera, na série o monstro deixou de ser uma ameça e protegia o navio de pesquisas Calico ao mesmo tempo salvava o filhote Godzooky. Em 1998 com uma versão Hollywoodiana do mostro feito pela mesma dupla criativa de Independence Day, Dean Devlin e Roland Emmerich. Mas o filme que trazia um Godzilla criado em computação gráfica retirou muito do charme trash que a série sempre teve e portanto foi um fracasso.

De volta ao Japão, existiram outros Godzilla após o filme de 1954, dando origem inclusive a diversos monstros que vieram na esteira do seu sucesso. Assim vieram a mariposa Mothra, o dragão de três cabeças King Ghidra, o monstro Rodan e a tartaruga voadora Gamera. Quase todos foram incorporados à cronologia de Godzilla e tiveram filmes onde lutavam contra o rei dos monstros. Estes filmes que traziam a batalha de dois monstros gigantes se tornaram muito comuns na saga de Godzilla e são os mais apreciados. O mais clássico dessa fase trazia o embate histórico de King Kong X Godzilla, que é tido como o melhor e mais assustador filme de monstros já produzido.

Foram vinte e nove filmes (contando com o filme americano), o último em 2004 – Godzilla final wars – trazia todo os monstros

criados pela produtora de Godzilla, incluindo o monstro americano, chamado de Zilla, que teve uma rápida participação e foi triturado pelo original. A despedida do monstro foi dirigida por Ryuhei Kitamura que adiou sua estréia nos cinemas americanos, só para fazer esse filme, prova do sucesso de Godzilla com os Japoneses. Godzilla final wars foi o filme mais caro de toda a série, com um orçamento de 34 milhões de dólares.

Apesar de ter perdido um pouco de sua popularidade, Godzilla está definitivamente inserido na cultura como o maior monstro de todos os tempos, sucesso este que lhe garantiu inclusive uma estrela na calçada da fama, em Hollywood.

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Categorias:cinema Tags:
  1. Álvaro Guedes
    08/03/2010 às 09:58

    Gojira, para sempre o Rei dos Monstros!

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